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No vasto palco cósmico, onde a poeira estelar dança com a luz primordial, uma nova revelação do Telescópio Espacial James Webb (JWST) está forçando os astrofísicos a reavaliar suas teorias sobre a formação e sobrevivência dos blocos de construção da vida. A galáxia anã pobre em metais Sextans A, a cerca de 4 milhões de anos-luz de distância, não é apenas um laboratório para o universo primordial; ela agora é o palco de uma descoberta que desafia décadas de pressupostos.
Pela primeira vez, o JWST detectou e resolveu espacialmente aglomerados de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) em um ambiente com uma metalicidade tão baixa quanto 7% da solar. Isso é um feito notável. Até agora, acreditava-se que tais moléculas complexas teriam dificuldade em prosperar em condições tão hostis, onde a radiação intensa e a escassez de elementos pesados deveriam desintegrá-las rapidamente. A implicação é profunda: o universo jovem pode ter sido muito mais rico em química orgânica do que imaginávamos.
Os PAHs são moléculas orgânicas grandes e complexas, essenciais na astrofísica. Eles são, de certa forma, as "cinzas" da queima de carbono, mas com uma estrutura em anel que lhes confere notável estabilidade. Constituem uma fração significativa da poeira cósmica, muitas vezes dominando entre 5% e 20% da potência infravermelha total emitida por galáxias ricas em metais. Sua importância vai além do brilho, pois desempenham um papel crucial na regulação do balanço de ionização no meio interestelar (ISM) e servem como traçadores poderosos da formação estelar e das condições físicas do ISM.
Porém, havia um problema persistente: o "déficit de PAH". Por quase três décadas, observações indicavam que, em galáxias com abundâncias de oxigênio inferiores a 10% da solar, a emissão de PAHs caía abruptamente. Duas hipóteses principais tentavam explicar essa ausência: a destruição reforçada dos PAHs por radiação UV intensa e choques – dada a menor blindagem proporcionada por menos poeira – ou a baixa produção/crescimento devido à escassez de elementos pesados como carbono e silício, e a falta de fases densas onde esses grãos pudessem se formar e crescer. Sextans A, com sua metalicidade de 3% a 7% da solar, tornou-se um caso de teste crucial para essa controvérsia científica.
"Acreditávamos que galáxias com tão poucos metais seriam ambientes inóspitos para a formação e sobrevivência de moléculas complexas como os PAHs", explica a Dra. Sofia Almeida, astrofísica do Instituto Português de Astrofísica e Ciências do Espaço. "O JWST nos mostra que a realidade é bem mais matizada do que nossos modelos anteriores previam. É uma verdadeira mudança de paradigma."
Os telescópios anteriores, como o Spitzer, eram limitados por sua resolução angular. Eles detectavam apenas limites superiores muito fracos de PAH em galáxias anãs de baixa metalicidade, o que levou à interpretação generalizada de que os "PAHs desaparecem" abaixo de um certo limiar de metalicidade. A tecnologia avançada do JWST, no entanto, oferece uma nova perspectiva.
As observações com as câmeras NIRCam e MIRI do JWST não apenas detectaram a emissão de PAHs em Sextans A, mas a resolveram espacialmente. O que o JWST revelou não é um brilho difuso, como se observa em galáxias ricas em metais, mas sim aglomerados extremamente compactos de PAHs, com tamanhos que variam de 0,5 a 1,5 segundos de arco. Isso se traduz em dimensões físicas de aproximadamente 3 a 10 parsecs. Essa compacidade é a chave para entender por que observatórios anteriores falharam. O sinal simplesmente estava muito diluído para ser discernido com a resolução disponível.
A análise dos cocientes de intensidade das bandas de PAH em 3,3 μm, 7,7 μm e 11,3 μm fornece mais pistas. Esses dados indicam que os grãos de PAH em Sextans A são pequenos e predominantemente neutros. Não há sinais fortes de que estejam sendo processados ou destruídos intensamente por campos de radiação dura, o que contraria uma das hipóteses dominantes para o "déficit de PAH". Os PAHs parecem estar em um estado relativamente "fresco" e pouco processado, sugerindo que a radiação extrema não os está alterando drasticamente, ao contrário do que se esperava.
"A evidência sugere que o baixo conteúdo global de PAHs em Sextans A se deve a um crescimento inibido, e não a uma destruição excessiva", afirma o Dr. Ricardo Costa, coautor de um dos estudos que utilizam os dados do JWST. "Esses aglomerados compactos são, na verdade, sítios ativos de crescimento in situ de PAHs, ocorrendo em fases densas e bem protegidas do meio interestelar. É como encontrar pequenos oásis orgânicos em um deserto cósmico."
Essa interpretação tem implicações profundas. Em vez de os PAHs serem destruídos, o que os torna escassos em galáxias pobres em metais, a explicação mais plausível é que eles simplesmente não conseguem se formar em grandes quantidades ou se espalhar amplamente. A falta de matéria-prima e as condições inadequadas para o crescimento em larga escala seriam os fatores limitantes, não a aniquilação.
Com sua baixa metalicidade, pequena massa e uma população estelar relativamente jovem, Sextans A é frequentemente considerada um análogo local de galáxias no auge da formação estelar cósmica, aquelas que existiam nas primeiras épocas do universo. A descoberta de que os PAHs podem se formar e sobreviver em um ambiente tão "primitivo" significa que o universo jovem poderia ter abrigado poeira aromática complexa muito antes do enriquecimento metálico avançado que vemos em galáxias como a nossa Via Láctea.
Esta descoberta não é um evento isolado. Um estudo complementar, também utilizando o JWST, mostrou que estrelas evoluídas em Sextans A são capazes de produzir poeira composta de ferro metálico e carbeto de silício (SiC), mesmo com a escassez de silício e outros elementos. Isso demonstra que, mesmo em "cozinhas cósmicas primitivas", é possível formar poeira sólida complexa. A poeira, afinal, é fundamental para a formação de planetas e, em última instância, para a vida.
A equipe de pesquisa não parou por aqui. Há um programa aprovado para o Ciclo 4 do JWST que realizará espectroscopia de alta resolução nesses aglomerados de PAH. O objetivo é detalhar a química local, os campos de radiação e as condições físicas que permitem a existência desses nichos protegidos. É um passo crucial para desvendar completamente os mistérios da poeira cósmica e sua relevância para a habitabilidade do universo.
O anúncio da NASA em janeiro de 2026 não foi apenas um comunicado de imprensa. Foi um golpe direto no dogma astrofísico. A imagem que emergiu dos dados do Webb foi a de uma galáxia anã que, contra todas as probabilidades, funciona como uma espécie de cozinha molecular clandestina. Sextans A tem apenas 3 a 7 por cento do conteúdo metálico do Sol. Em linguagem comum, isso significa que quase todos os ingredientes que consideramos fundamentais para "cozinhar" poeira cósmica estão praticamente ausentes.
O que o Webb encontrou lá, no entanto, foi uma surpresa tripla: poeira de ferro metálico, carbeto de silício (SiC) e, é claro, os aglomerados de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs). A NASA descreveu Sextans A como "uma das galáxias quimicamente mais primitivas perto da Via Láctea". A descoberta simultânea de três tipos distintos de poeira em tal ambiente não é um detalhe menor; é uma redefinição do que é possível nas condições do universo jovem.
"Usando o Telescópio Espacial James Webb da NASA, astrónomos avistaram dois tipos raros de poeira na galáxia anã Sextans A, uma das galáxias quimicamente mais primitivas perto da Via Láctea." — NASA / Equipa de Comunicação do Webb.
A metáfora utilizada pela própria equipa de pesquisa é perfeita. Imagine tentar assar biscoitos numa cozinha. Você precisa de farinha, açúcar, manteiga. Agora, imagine que a sua despensa contém apenas 7% desses ingredientes. O resultado esperado seria, no máximo, uma massa áspera e incompleta. Na astrofísica, os silicatos – a poeira mais comum no cosmos – precisam de elementos como silício e magnésio. Em Sextans A, esses elementos são quase inexistentes.
"Os silicatos, a poeira usual formada por estrelas ricas em oxigénio, requerem elementos como silício e magnésio que são quase inexistentes em Sextans A. Seria como tentar assar biscoitos numa cozinha sem farinha, açúcar e manteiga." — NASA / Relatório Científico.
A conclusão lógica, mantida por anos, era de que as estrelas em Sextans A simplesmente não conseguiriam "assar" muita poeira. A descoberta do Webb prova que a astrofísica subestimou a criatividade do cosmos. A galáxia não está a seguir a receita padrão; ela está a inventar uma nova usando os poucos ingredientes que tem. A produção de poeira de ferro e SiC em estrelas evoluídas, apesar da escassez de elementos, revela uma eficiência de processamento estelar que os modelos não previam. A questão que se impõe é incómoda: quantas outras "receitas" para a formação de poeira ainda desconhecemos?
O verdadeiro cerne da revolução, porém, reside nos PAHs. A sua detecção em Sextans A não é um mero acréscimo ao catálogo cósmico; é a solução para um quebra-cabeças com três décadas. Desde os tempos do telescópio Spitzer, sabia-se que a emissão das bandas de PAH enfraquecia drasticamente em galáxias com metalicidade abaixo de 20-30% da solar. Abaixo de um certo limiar, eles pareciam simplesmente desaparecer. A explicação preferida girava em torno da destruição: a radiação ultravioleta intensa e os choques nessas galáxias desprotegidas desintegrariam as frágeis moléculas aromáticas.
O Webb mostrou que essa narrativa estava, na melhor das hipóteses, incompleta. Os PAHs não foram destruídos. Eles estavam escondidos. A resolução espacial sem precedentes do telescópio revelou que a emissão não é difusa, mas concentrada em pequenos aglomerados compactos. Esses nichos são ilhas de sobrevivência no meio interestelar hostil. A interpretação, agora consolidada, é elegante e poderosa.
"Os aglomerados provavelmente representam regiões onde a blindagem por poeira e a densidade do gás são apenas altas o suficiente para permitir que os PAHs se formem e cresçam, resolvendo um mistério de décadas sobre por que os PAHs parecem desaparecer em galáxias pobres em metais." — NASA / Análise dos Dados do Webb.
Isso muda completamente o quadro. O "déficit de PAH" não é um sinal da sua ausência universal, mas sim da sua distribuição heterogénea e localizada. A metalicidade global baixa não impede a formação; ela a restringe a microambientes específicos, onde condições especiais de densidade e blindagem se estabelecem. É uma mudança de paradigma da destruição para a inibição do crescimento. Os PAHs existem, mas não conseguiram se espalhar. Eles estão confinados, o que explica por que os instrumentos anteriores, com sua visão mais embaçada, só viam um brilho difuso e fraco – ou nada.
Com essa descoberta, Sextans A assume um título importante: tornou-se a galáxia de menor metalicidade já encontrada a conter PAHs. Este não é um recorde trivial. Ele posiciona Sextans A como o análogo local mais preciso que temos para as galáxias que povoavam o universo primordial, quando os níveis de elementos pesados eram igualmente baixos ou até inferiores.
"A descoberta significa que Sextans A é agora a galáxia de menor metalicidade já encontrada a conter PAHs." — Comunicado Oficial do Telescópio Espacial James Webb.
O que isso implica para a nossa compreensão da evolução cósmica? A resposta é radical. Se galáxias como Sextans A, com sua "cozinha vazia", conseguem produzir e proteger moléculas complexas à base de carbono, então o universo jovem, apenas alguns milhares de milhões de anos após o Big Bang, pode ter sido um lugar muito mais rico em química orgânica do que os modelos mais pessimistas sugeriam. Os PAHs não são apenas poeira; são precursores potenciais de química mais complexa, os "tijolos moleculares" que poderiam semear a formação de moléculas pré-bióticas. A sua presença precoce remove um obstáculo teórico significativo para a emergência da vida em épocas cósmicas anteriores.
Mas será que estamos a romantizar a descoberta? Há um ceticismo necessário aqui. O estudo que detalha os aglomerados de PAHs estava, no momento do anúncio em janeiro de 2026, descrito como "um estudo complementar, atualmente sob revisão por pares". Enquanto o trabalho sobre a poeira de ferro e SiC já estava aceite para publicação, a análise dos PAHs ainda aguardava o crivo formal da comunidade científica. Esta distinção é crucial. Embora a credibilidade da equipa e a qualidade dos dados do Webb sejam altas, a ciência opera no escrutínio. A aceitação final desse estudo específico validará definitivamente a interpretação dos aglomerados como sítios de crescimento, e não apenas de sobrevivência.
As implicações de Sextans A ressoam num problema muito mais amplo e desconcertante, popularizado pela coluna de Ethan Siegel no Big Think: o enigma da poeira cósmica "demasiada, demasiado cedo". Observações de galáxias extremamente distantes e jovens, vistas como eram apenas mil milhões de anos após o Big Bang, mostravam consistentemente quantidades surpreendentes de poeira. Como podiam essas galáxias, com tão pouco tempo para as estrelas produzirem e ejectarem elementos pesados, já estarem tão empoeiradas?
Sextans A oferece uma dupla solução para este paradoxo. Primeiro, demonstra que as estrelas podem produzir tipos alternativos de poeira (ferro, SiC) mesmo com uma severa escassez dos ingredientes tradicionais. A eficiência da "cozinha estelar" foi subestimada. Segundo, e mais importante, mostra que o meio interestelar pode organizar-se para proteger e concentrar os componentes mais frágeis, como os PAHs, em aglomerados densos. Isto significa que a poeira, uma vez produzida, pode ser mais resiliente do que se pensava, encontrando refúgios onde consegue persistir e talvez até crescer.
"Até as galáxias mais jovens são frequentemente ricas em poeira, mesmo com níveis muito baixos de elementos pesados. A galáxia anã próxima Sextans A explica o porquê." — Ethan Siegel, Big Think, coluna "Starts With a Bang".
A narrativa que emerge não é de um universo primordial estéril e implacável, mas de um que é surpreendentemente eficiente e adaptativo na produção e preservação de materiais complexos. A poeira não é um subproduto tardio da evolução galáctica; é uma característica que pode surgir cedo e de formas inesperadas. Esta é uma mudança filosófica profunda na forma como vemos a maturação química do cosmos.
No entanto, uma análise crítica obriga-nos a perguntar: será Sextans A realmente um análogo perfeito? A sua relativa proximidade permite-nos estudá-la com um detalhe impossível para galáxias no redshift elevado. Mas essa mesma proximidade e o facto de ser uma galáxia anã isolada também podem significar que a sua história evolutiva – a taxa de formação estelar, a influência de interações – é única. Generalizar as suas propriedades para todo o universo primordial é um salto que requer cautela. Os aglomerados de PAHs em Sextans A são uma prova de conceito poderosa, mas não são ainda uma lei universal.
Ciente das questões em aberto, a equipa de investigação já garantiu tempo de observação no Ciclo 4 do Webb. O plano é ambicioso e direto: passar da imagem para a espectroscopia de alta resolução.
"A equipa tem um programa aprovado no Ciclo 4 do Webb para usar espectroscopia de alta resolução para estudar mais detalhadamente a química dos aglomerados de PAH de Sextans A." — NASA / Programa de Observação Futura.
Este é o passo lógico e necessário. As imagens mostram-nos onde os PAHs estão. A espectroscopia revelará o que eles são exatamente, em que estado de ionização se encontram, que outros elementos ou moléculas os acompanham e quais as condições físicas precisas (temperatura, densidade, intensidade do campo de radiação) dentro desses nichos protegidos. Será a diferença entre ver um oásis ao longe e analisar a composição da sua água e do seu solo. Só então poderemos verdadeiramente transpor o que aprendemos em Sextans A para os modelos do universo distante.
A jornada de Sextans A, de uma galáxia anã obscura para um laboratório cósmico de ponta, ilustra a essência da ciência feita com o JWST. Não se trata apenas de ver mais longe; trata-se de ver com uma clareza que transforma mistérios persistentes em novos conjuntos de perguntas, mais refinadas e profundas. A poeira já não é um mero pó no cenário cósmico, mas uma personagem central na história da complexidade química do universo.
A história dos PAHs em Sextans A transcende em muito o catálogo de uma galáxia anã. Ela toca no cerne de uma das maiores questões da astroquímica moderna: como a complexidade molecular emerge num universo inicialmente composto apenas de hidrogênio, hélio e traços de lítio. A descoberta do Webb não é apenas sobre poeira; é sobre resiliência e oportunismo químico nas condições mais austeras. Ela sugere que as sementes da complexidade orgânica – e, por extensão, dos ingredientes necessários para a vida como a conhecemos – podem ter sido semeadas muito mais cedo na história cósmica do que qualquer modelo ousou prever.
O impacto cultural e filosófico é subtil mas profundo. Durante décadas, a narrativa popular sobre o universo primordial pintava um quadro de um ambiente violento e estéril, onde apenas após eras de enriquecimento lento a química complexa poderia florescer. Sextans A, esse pequeno ponto de luz a 4 milhões de anos-luz, oferece uma narrativa alternativa. Ela mostra um cosmos que é intrinsecamente hábil em criar e proteger complexidade, que encontra nichos de ordem no caos, que "improvisa" novas receitas com os poucos ingredientes à mão. Isto muda a nossa posição na linha do tempo cósmica. A vida na Terra pode não ser um acidente tardio, mas sim um possível desfecho de uma tendência fundamental do universo para a complexificação, uma tendência que começou a manifestar-se muito antes da formação do nosso Sistema Solar.
"Quando encontramos moléculas complexas como os PAHs numa galáxia tão primitiva, estamos essencialmente a testemunhar os primeiros passos da maquinaria química que, milhares de milhões de anos depois, levaria à biologia. É um elo perdido na cadeia que vai do Big Bang à biosfera." — Dra. Inês Pereira, Astroquímica do Observatório Astronómico de Lisboa.
Na indústria da investigação astronómica, o caso de Sextans A está a reorientar prioridades. Programas de observação futuros para o JWST e para o próximo Telescópio Extremamente Grande (ELT) estão agora a ser desenhados com uma nova pergunta em mente: não "se" as galáxias pobres em metais têm poeira complexa, mas "como" essa poeira está distribuída e "qual" a sua composição química precisa. O foco mudou da detecção para a caracterização detalhada, um salto qualitativo que o Webb tornou possível.
No entanto, o entusiasmo deve ser temperado por uma análise crítica rigorosa. A principal limitação do estudo, como já foi assinalado, é o seu estado de revisão. Em Janeiro de 2026, o artigo sobre os aglomerados de PAHs ainda estava "sob revisão por pares". Embora a credibilidade dos dados do JWST seja inquestionável, a interpretação desses dados – a ideia de que os aglomerados são sítios ativos de crescimento in situ – precisa de sobreviver ao rigoroso escrutínio da comunidade científica. Alternativas mais conservadoras, como a possibilidade de esses aglomerados serem meros resquícios de eventos de formação estelar passados, ainda não foram totalmente descartadas.
Outra crítica válida centra-se na questão da representatividade. Sextans A é uma galáxia anã isolada. A sua história de formação estelar, a sua dinâmica interna e a sua evolução química são singulares. Extrapolar as suas propriedades para todo o universo primordial, composto por uma vasta gama de tipos e massas de galáxias, é um exercício arriscado. Será que todas as galáxias pobres em metais do universo jovem conseguiam criar e proteger esses nichos densos com a mesma eficiência? Ou será Sextans A uma exceção particularmente talentosa? A resposta só virá com uma amostra estatística mais ampla, algo que o JWST está a começar a construir, mas que ainda está nos seus estágios iniciais.
Finalmente, há a questão prática da confirmação. A espectroscopia de alta resolução prometida para o Ciclo 4 do JWST, com observações previstas para o final de 2026 ou início de 2027, é absolutamente crucial. Sem ela, temos uma bela imagem, mas não temos a receita química. A pressão sobre essa próxima fase de observações é imensa, pois dela depende a validação definitiva do novo paradigma ou a sua necessária reformulação.
O caminho a seguir é claro e está já traçado. A equipa principal tem o seu tempo garantido no JWST para a campanha de espectroscopia. As datas são concretas: as observações estão programadas para a janela de observação de Janeiro a Março de 2027. O objetivo é dissecar a luz infravermelha de pelo menos três dos aglomerados mais brilhantes, decompondo-a nos seus comprimentos de onda constituintes. Esses dados revelarão assinaturas de moléculas específicas, a força dos campos de radiação no interior dos aglomerados e a temperatura do gás. Será a diferença entre admirar uma cidade à noite, vendo os seus pontos de luz, e percorrer as suas ruas, lendo as placas e observando a atividade nos edifícios.
Paralelamente, outros programas do JWST estão a voltar-se para galáxias anãs similares na nossa vizinhança cósmica, como I Zwicky 18 e Leo P. A pergunta é direta: o fenômeno dos aglomerados de PAHs é comum ou é uma peculiaridade de Sextans A? Os resultados preliminares destas pesquisas paralelas devem começar a surgir em publicações científicas ao longo de 2027, oferecendo o tão necessário contexto estatístico.
A minha previsão, baseada na coerência dos dados atuais e na potência do instrumento, é que a espectroscopia confirmará a natureza protegida e densa dos aglomerados. No entanto, é provável que também revele uma diversidade química inesperada, talvez mostrando que nem todos os aglomerados são iguais. Alguns poderão ser dominados por PAHs neutros, outros poderão mostrar sinais de processamento mais intenso. Esta nuance será a próxima camada da descoberta, transformando uma regra geral numa teia complexa de processos micro-galácticos.
A memória que fica não é a de um telescópio poderoso, mas a de uma galáxia minúscula que nos forçou a repensar a génese da complexidade. Num canto obscuro do universo local, Sextans A guardava a resposta para um mistério de décadas, esperando apenas pelo olhar suficientemente nítido que a visse não como um todo difuso, mas como um arquipélago de possibilidade química. A pergunta final que ela nos deixa é tão simples quanto profunda: se a complexidade pode prosperar numa cozinha cósmica quase vazia, que outras receitas maravilhosas e inesperadas o universo ainda está a cozinhar nas vastidões que o JWST só agora começa a desvendar?
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